Muita emoção marcou o concerto, com a Orquestra Sinfônica e o Coro do Theatro Municipal, realizado em homenagem ao maestro Silvio Barbato, nesta quarta-feira (24/06), na Sala Cecília Meireles. Barbato era um dos passageiros do voo 447 da Air France que desapareceu no dia 1º de junho deste ano. Ele estava a caminho de Kiev, na Ucrânia onde faria uma palestra sobre música e apresentaria a ópera “Chagas”, composta por ele.
O concerto contou também com a presença da Secretária de Estado de Cultura, Adriana Rattes, da Subsecretária-adjunta de Cultura, Beatriz Caiado, dos maestros Edino Krieger e Maurílio dos Santos Costa, além de outras personalidades da música, parentes de amigos do maestro Silvio Barbato. Antes de dar início ao concerto, o diretor da Sala Cecília Meireles, João Guilherme Ripper, afirmou ser uma honra para a Secretaria de Estado de Cultura homenagear uma pessoa tão querida como o maestro.
- Para nós é um privilégio estarmos aqui hoje e poder relembrar o amigo Silvio Barbato. Como maestro, ele registrou alguns de seus sonhos na música. No concerto desta noite, vamos tentar preencher a sua ausência através da sua música, declarou.
Em seguida, a presidente do Theatro Municipal, Carla Camurati, lembrou momentos marcantes de seu trabalho com o maestro, durante a montagem da ópera "Madame Butterfly", dirigida por ela.
- Não pude assistir à estréia em Brasília, porque estava no final da gravidez e tive que voltar para o Rio. Voltei e o meu filho nasceu o mesmo dia que o maestro, em 11 de maio. Nós dois costumávamos brincar com isso, e eu dizia sempre ao Silvio que teria o maior orgulho se o meu filho se tornasse maestro como ele, contou. Ao concluir, Carla pediu à platéia um grande aplauso ao maestro.
- Vamos todos aplaudi-lo como ele merece.
Logo depois, a Orquestra e o Coro do Theatro Municipal executaram a obra" Réquiem, kV. 626", de Mozart, com a regência do maestro Roberto Minczuk e a participação dos solistas Gabriella Pace (soprano), Luciana Costa e Silva (Mezzo), Marcos Thadeu (tenor) e Licio Bruno (barítono).
Ao encerrar a apresentação da peça, o maestro Minczuk afirmou que Barbato vai deixar uma grande saudade entre os amigos.
- É muito difícil fazermos um concerto como este. Mas a gente faz com carinho, o mesmo carinho que o Silvio sempre demonstrou com os colegas, disse, aproveitando para apresentar o segundo maestro da noite, Jésus Figueiredo.
- Jésus é um dos que tiveram o privilégio de trabalhar muito próximo ao Barbato e agora vai reger um trecho de sua ópera “O Cientista”, explicou Minczuk.
A ópera “O Cientista” foi composta com base na vida de Oswaldo Cruz. Estreou em dezembro de 2006, com a Orquestra Sinfônica e Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro sob a regência do próprio Silvio Barbato. O Ato II, cena 4 – Ária e Coro do Adeus, interpretado pelo barítono Licio Bruno, traz no texto a mensagem:
“Liberdade e paixão. Ó imensidão do meu amor. Lá fora o mar para sempre vai levar a certeza de ser quem eu sou. O que restou são desejos que a morte não vai silenciar”.
A plateia aplaudiu de pé a execução, muito emocionada, antes do maestro Jésus e os músicos voltarem ao palco para o bis de “O Cientista”.